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terça-feira, 30 de agosto de 2011

As lésbicas da Praça

Estava eu em casa, sentindo calor e vendo minhas cadelinhas na mesma situação, quando resolvi dar uma volta com elas na praça aqui perto de casa.

Inchada que estou por causa do calor (mentira, engordei mesmo), quase não encontrei uma calça dessas de caminhada que entrasse em mim. Mas fui persistente, e poucos minutos depois estava na praça com minhas lindas filhas latindo com os pássaros que lá estavam.

Até que entre um latido e outro eu avistei um casal se beijando, pareciam dois adolescentes de 14 anos. “Que precoce!”, pensei. Minha mente, na verdade, é que é uma velha em achar precoce dois adolescentes de 14 anos trocarem beijos e uns amassos em plena praça pública.

Pois então, quando me aproximo, me dou conta de algo: duas garotas totalmente apaixonadas passavam a mão uma na outra, se pegavam e se amavam bem ali, para quem quisesse ver.

GENTE. Eu sou uma pessoa livre de preconceitos, uma santa moderna, mas me assustei. Sorry. Eu quis achar estranho, quis achá-las ousadas por fazerem aquilo. Eu olhava discretamente (aham) e via duas magrelinhas, com seus 14 anos, fazendo algo maluco.

“MAS”, eu pensei, “mas quem sou eu para achar este ato de amor cheio de hormônios confusos estranho?”. Eu, que já tirei minhas roupas na porta de casa, só para sentir o prazer de ficar sem roupa na porta de casa; eu, que já comprei um pênis de silicone (25cm, minúsculo, né?) e o coloquei no capô do carro para quem quisesse ver; eu, que já fiz umas coisas aí, cheia de hormônios, no meio da rua e corri o risco de parar no caiunarede.com; eu, que até um tempo atrás encenava desmaios no meio da praça; eu, que carregava uma boneca coberta com uma manta fingindo ser minha filha e ainda ganhava lembrança de felizdiadasmães nos bares da cidade; eu, que já dancei “ela é dog, dog, dog, dog estilo cachorra ela fica de quatro” em cima de uma mesa nessas festinhas de faculdade; eu, que adoro escrever sobre tabus neste blog, achando estranho duas meninas trocando beijos e abraços no banco da praça? Não, Carolina, não.

Claro, fui até elas simpaticamente com minhas filhas pedir para tirar uma foto delas, pois aquele momento merecia um texto aqui no blog. Quando chego perto, elas me olham com cara de “o que essa inchada do calor com dois cachorrinhos veio fazer aqui?”. Mas eu sou muito comunicativa, expressiva, paciente, amo as pessoas, e logo fui explicando do meu blog e educadamente pedi para tirar uma foto delas enquanto minhas cadelinhas amadas não paravam de latir. Uma delas tinha um monte de brincos pelo rosto e eu pensei “no dia que ela se arrepender desses brincos, será que o buraco vai fechar?”. Já que eu tava ali, perguntei a idade: 18 e 15, com corpinhos de 14 mesmo. Tão novas e tão decididas quanto a sexualidade.

Imagino que tudo ainda poderá mudar na cabeça delas e talvez um dia se arrependerão desse amor, que provavelmente ainda não é amor. Talvez uma delas conheça de verdade um pênis que vai mostrar a felicidade. Talvez uma delas vai continuar amando mulheres. Ou, talvez, elas continuarão juntas mesmo, apenas sem os brincos faciais e mais gordas.

Após as fotos, agradeci, voltei pra casa com minhas filhas e senti medo. Medo de uma coruja que não parava de me encarar, sei lá, vai que aquela ave me machuca, né?





P.S.: Meninas do banco da praça, se realmente vierem até o blog, agradeço pela visita e pelas fotinhas.

7 comentários:

  1. Gostei! É nessas horas que a gente vê que nossa criação entabuzada nos trai, mesmo quando somos mentes livres que desdenham dos tabus. Mas eu confesso que o mais intrigante do post, pra mim, foi a lista de 'eu que já's! hahaha! Bão demais.

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  2. Acredito que não iremos nos arrepender futuramente, estamos cientes de nossos atos.. Liberdade pra mim significa não ter medo de ser o que você realmente é, tanto é que tu já fez um monte de coisas bizarras tu é livre pra isso mesmo que tais coisas sejam dignas de um divã, acredito também que orgãos genitais não tráz felicidade a ninguém e muito menos muda a opção sexual de alguém. Parabéns por estar tentando abrir sua mente para a diversidade, pois não importa língua, raça, religião, sexo, o amor é o mais importante mesmo sendo vivenciado por pessoas do mesmo sexo. (M.V-18)

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  3. Que fique claro, homossexuais não são atração de feira. É explorar de mais o que é (ou deveria ser) natural. O texto mas a ideia é antiga, né?

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  4. Digitei um texto enorme falando que acho que conheço uma das garotas do texto e elogiando os textos do blog, mas fui postar e a internet caiu... (maldiçãaaooo!!)

    Mas resumindo.. Adoro os textos do blog!

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  5. Acho que você não está com a 'mente fechada', Carol. Apenas é tão constrangedor ver duas lésbicas se agarrando em praças públicas quanto ver um casal heterossexual também (fala a que metia a mão no pinto dos meninos atrás de árvores, tais árvores nas praças).
    A gente já passou por isso, mas a gente não precisa mais disso. Acho que algumas coisas mudam de lugar... Deixam de estar em ações (estranhas? ou como quem diz 'não ligo pro que pensam') e passam para olhares, decisões... E eis que ela está aí... A maturidade...

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  6. Hmmmm....25 cm?!
    nuss!

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  7. "...acredito também que orgãos genitais não tráz felicidade a ninguém e muito menos muda a opção sexual de alguém..."

    Gostei do comentário, mas entendi o que a autora do texto quis dizer e entendo o pensamento que teve ao avistar as garotas se beijando, mas creio que o mundo é livre e a praça É pública e também acredito que elas estão certas de suas ORIENTAÇÕES sexuais, até porque para fazer algo assim, em uma praça pública de uma cidadezinha no interior, tem que ter muita certeza, ou realmente não ligar para opiniões alheias.
    Ass: Grega.

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